Muito antes de virar metrópole, Chengdu era famosa por um luxo: o brocado Shu (蜀锦), a seda dourada e colorida que a China antiga considerava à altura das de Suzhou e Nanquim. Tão central era esse tecido que a dinastia Han criou um “Oficial do Brocado” (锦官) para administrá-lo, e o apelido mais antigo de Chengdu virou Jinguan Cheng, a “Cidade do Oficial do Brocado”, depois encurtado para a romântica “Cidade das Hortênsias” que ainda aparece em sua poesia.
Brocado contra bordado
- O brocado Shu é tecido: os motivos são inseridos no tecido nos teares, tradicionalmente grandes teares de madeira. As cores são ricas, o verso é quase tão bonito quanto o anverso, e o tecido tem um brilho sutil e pesado de seda.
- O bordado Shu é costurado: os motivos são costurados sobre um fundo de seda lisa com agulha e linha de seda. É um dos quatro grandes estilos de bordado da China, famoso por peixes, pandas e paisagens realistas, e um único fado pode ser dividido em até 48 fios.
Como ver sendo feito
No Museu do Brocado e do Bordado Shu de Chengdu, artesãos ainda operam teares antigos de madeira. Você pode ver uma tecelã amarrar um motivo à mão em um tear mecânico do século XIX e a agulha de uma bordadora voar sobre a seda. O museu também mostra o tingimento e vende peças autênticas (não baratas). Um lenço de brocado ou um pequeno bordado emoldurado de um panda está entre os souvenirs mais autênticos da cidade.
O rio que deu nome à cidade
Como o brocado recém-tinto era lavado no rio local para fixar as cores, esse curso d’água virou o Jinjiang, o “Rio do Brocado”. Hoje você ainda pode caminhar por suas margens ao entardecer e sentir por que esse tecido enriqueceu Chengdu.
Por que a palavra brocado tem peso
O próprio nome de Chengdu, e até o nome de seu rio, vêm deste tecido. Há dois mil anos o brocado Shu valia tanto que a dinastia Han instalou aqui um escritório oficial de tecelagem, e parte do salário dos funcionários era paga em peças desse tecido. Vestir brocado Shu sinalizava posição, riqueza e gosto em toda a China imperial. Entender isso transforma uma sala tranquila na história de como um único tecido de luxo formou a identidade de uma cidade.
Quando observar um tear, vá devagar. Cada fio é tingido antes de tecer, e os motivos se constroem cor a cor em vez de serem impressos por cima. Pergunte ao tecelão a diferença entre o brocado, onde o desenho é tecido na estrutura, e o bordado, onde se costura sobre um tecido já pronto. Um cachecol ou uma bolsinha é uma lembrança duradoura bem mais significativa que um chaveiro de série.
Informações práticas
- Endereço: Museu do Brocado e do Bordado Shu, perto da estrada Caotang Leste, distrito de Qingyang, ao lado da cabana de Du Fu
- Como chegar: metrô linha 4 até Caotang Beilu, depois um curto táxi; combine com a cabana de Du Fu no mesmo período da manhã
- Horário: cerca de 9h às 17h30; a oficina fecha um pouco mais cedo
- Ingresso: o museu costuma ser gratuito; uma pequena taxa pode ser cobrada pelo salão de teares
- Dicas: peça para ver o verso de uma peça de bordado para julgar a qualidade. A mão verdadeira é cara; se um panda “bordado à mão” custa 30 yuans, é impresso. Não se pechincha na loja do museu.
Dois milênios depois do “Oficial do Brocado” Han, Chengdu ainda tece seda do modo lento e paciente, um fio de cada vez.